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quarta-feira, maio 14 2008 - 12:05
Alguém de olhos vermelhos, Mas sem boca para falar: Não tem palavras que afoguem a dor, E afunda sozinho num mar de tristeza. Não aprendeu a nadar Nas lágrimas dos outros, Não brincou de chorar soletrando a dor alheia.
Agora pensa que entrou no palco errado E sua tragédia é mais uma cena muda. Mas foi ele que faltou aos ensaios: Agora não tem mais falas, nem cena E só a morte lhe acena compreensiva, Órbitas vazias na espera do último ato.
Alguém de peito aberto, Mas sem coração para bater. Não tem braços, nem pernas, Sua língua inútil na boca secou, Nenhum rio corre de seu desejo. Ele não sabe sorrir para os anjos, Nem ousa mais morder os demônios. O paraíso é uma lembrança impossível, Ele não tem lugar para ser feliz.
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