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Alguém de olhos vermelhos, Mas sem boca para falar: Não tem palavras que afoguem a dor, E afunda sozinho num mar de tristeza. Não aprendeu a nadar Nas lágrimas dos outros, Não brincou de chorar soletrando a dor alheia.
Agora pensa que entrou no palco errado E sua tragédia é mais uma cena muda. Mas foi ele que faltou aos ensaios: Agora não tem mais falas, nem cena E só a morte lhe acena compreensiva, Órbitas vazias na espera do último ato.
Alguém de peito aberto, Mas sem coração para bater. Não tem braços, nem
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O que mais dói em nós é a dor que desatamos
Ao cortar os nós que nos amarraram o coração
por tanto tempo à sombra do que se prometeu.
Entregues ao tempo e à memória, dois abutres
somos nós, a bicar pedaços felizes do que foi
Sobre a montanha apodrecida do nosso hoje.
Por que não voar em paz, anjos que somos,
E cada felicidade seja sempre branca nuvem,
E os olhos se voltem para aquilo que foi bom?
Que lágrimas afoguem a dor
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De la tierra oscura brota Satán
Fragmento maniqueu citado por Severo de Antióquia
Numa linda manhã cinzenta, o funcionário encontrou em sua baia, logo
ao chegar, brotando numa área de sombra entre dois processos, um lindo
problemazinho em flor. Emocionado, reparou nas duas folhinhas de uma
exposição de motivos que já podiam ser entrevistas e correu para avisar
o chefe.
Experiente como era, cuidou de fechar a janela para evitar que um
excesso de claridade prejudicasse o rebento. Sabia
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Brasília, 1985
Tinha pouco tempo em Brasília quando assisti a uma Mostra de Cinema
Alemão patrocinada pelo Instituto Goethe. “Der Monde ist nur a nackerte
Kugel” (A Lua é apenas uma esfera nua) era um dos filmes da Mostra e
dele não recordo quase nada, exceto o título, do qual surgiu esse
poema, subito, acabado.
E como títulos sempre foram a parte mais difícil dos meus poemas,
deixei assim no original como homenagem. Mas não aprendi alemão até
hoje…
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Todos me dizem: são pássaros!
Quando sei que são travesseiros ao avesso,
Úmidos daquela dor que nada silencia,
Recheados de sangue incandescente,
De sonhos que voam sem pena da terra.
Todos me dizem: são peixes!
Quando sei que são baleias,
Sereias obesas a quem o amor desafinou,
Recheadas de sangue incandescente,
De sonhos que afundam sem pena no mar.
Brasília, 2006
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